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Profissional Liberal A Favor Da Autonomia E Da Maluquice

Essas meninas novas não estão de brincadeira. Estão fazendo música brasileira de qualidade bem longe do óbvio. Cada disquinho que chega aqui em casa é uma surpresa de ouro. Ou será que estou dando sorte ? Porque quando chego numa loja vejo tanta porcaria... mas deixa prá lá, esse espaço não dá mole pra lixo cultural. Hoje vamos de Manuela Rodrigues.

Confesso que esse nome me pareceu desconhecido quando recebi das mãos de um amigo esse álbum cujo título entrega uma pista falsa: “Uma Outra Qualquer Por Aí”. Tudo que Manuela Rodrigues não é.  Inteligente, dona de uma voz aguda e estranha que impõe sua modernidade e compositora de letras longe de enquadramentos previsíveis, Manuela apresenta uma mistura de estilos que não espera a próxima faixa para acontecer. Numa mesma canção o samba encontra o mambo, flerta com o tango e pode cair no pagode sem parecer pretensioso ou vulgar. Que mulher interessante.

Ouço todas mais de uma vez para me certificar e absorver tantas idéias. Agora acaba de passar um maracatu que virou rap, a canção “Barraqueira” que sua conterrânea Márcia Castro já havia lançado em seu primeiro disco, mas que aqui encontra sua gravação definitiva.  Encontro no encarte o nome de Rômulo Froés, o pai e o filho da nova canção paulista e um cover de Berimbau do grupo Olodum. Um liquidificador de doido de primeira qualidade.

Apesar de tantas referências e experiências, o disco passa rápido e deixa gosto de quero mais. Na capa, a foto de uma menina mulher da pele preta linda e dona de um sorriso doce. Mas não se engane: Manuela Rodrigues passa bem longe do estereótipo da boa moça que sua imagem possa transmitir para desavisados. Sua atitude musical é vanguardista, abusada  e quase esquizofrênica, palavras fortes que encontram aqui o seu melhor sentido. Estou já no meio do post e ainda não consigo ser claro. Não me preocupo com isso. Deixo livre o ímpeto forte de indicar a você que me lê, essa Manuela Rodrigues das Novidades.

Agora procuro por informações nos googles e youtubes para tentar ser mais nítido daqui pra frente. Mas não é possível ! Essa menina não nasceu ontem. Até um outro disco chamado “Rotas” ela já fez. Andou pelo mundo, estudou piano, flauta e afins, foi atriz na cidade de Salvador. Mas então por que não chegou aqui em casa antes ? Pelo mesmo motivo de sempre: o Brasil insiste em propagar e comercializar sempre as mesmas cinco cantoras. Até a exaustão, até o consumidor jogar fora. Então é hora de escolher mais cinco cópias de Marisa, Cássia, Elis e Gal e começar tudo de novo. Como diria Gil, gente estúpida, gente hipócrita. Mas voltemos a Manuela Rodrigues que é melhor.

Enquanto ouço seu primeiro disco no Trama Virtual (fruto de minha ansiedade que nem bem absorveu esse disco que tento resenhar aqui e já deseja mais),descubro que ela está catalogada no gênero Jazz dentro do site. Mas o que é isso ? Jazz Baiano ? Pois é. Salvador é bem mais que o axé grudento e os tambores de sempre. Tem gente boa fazendo outros sons. Tem cantora de primeira qualidade que não sobe em Trio Elétrico. Tem músico genial bem longe dos teclados previsíveis das micaretas. Manuela Rodrigues se alimenta dessas diferenças. Então seja bem vinda. Manuela Rodrigues não é uma qualquer.